domingo, 10 de janeiro de 2016

Abraço Apertado


Ela tem um sorriso inquietante
E sutilmente faz eu me inspirar
Pois a doçura que tem seu paladar
No momento abstrato eu sentia
O seu cheiro invadiu a ventania
Fez os galhos da vida balançar
E não há nada que eu possa comparar
Ao beijo da sua boca singela
E pouco tempo estando junto dela
Vale o resta da vida a esperar

Pois se tudo na vida tem sentido
O acaso às vezes surpreende
E ela foi o presente mais presente
Que o tempo me deixou contemplar
Os traços do seu rosto contornar
Minhas mãos perdidas se conter
Expressado num lindo amanhecer
Com teu olhar brilhante estampado
Tua respiração serena do meu lado
E no abraço, apertado transcender
 
 
 
Wagner França

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

A importância de ler




Lembro que quando eu tinha cerca de 8, 9 anos de idade minha mãe ia fazer compras uma vez por mês na cidade vizinha e trazia sempre uma quantidade de gibis que correspondiam aos 30 dias do mês para me deixar com a mente ocupada, lendo. Dividindo é claro a leitura com outras atividades (geralmente feitas em casa). Passava o mês, ainda criança, beirando a adolescência com a imaginação fértil viajando nos mundos do Fantasma, Tex, Turma da Monica, Mickey Mouse... enfim.


Passado algum tempo, quando eu tinha já cerca de 12, 13 anos me distanciei um pouco da leitura constante e passei a dedicar quase 100% do meu dia a ouvir música. A leitura então, tinha se tornado um complemento da nova sonoridade que meus ouvidos estavam conhecendo e desfrutando. Quando eu gostava demasiadamente de uma banda ou artista me colocava na obrigação de conhecer o artista e a banda, saber das historias e etc, dai mais uma vez se fazia necessária a leitura em minha vida, ainda que nessa época da rebeldia dos 15, 16 anos. Eu me sentia orgulhoso quando ouvia um disco e sabia em que estúdio ele foi feito, em que época e o que estava acontecendo paralelamente naquela época; ficava feliz em entender o contexto do que estava conhecendo.


No meio dessa época também comecei a desenvolver um gosto muito profundo, muito abrange pela poesia e abdiquei de muitas outras formas de leitura para me concentrar efetivamente na leitura de poesias e no conhecimento da abordagem poética (eu já escrevia poemas). Nessa leitura conheci não só nomes consagrados da literatura mundial como Rimbaud, Verlaine, Baudelaire (...) como também grandíssimos poetas brasileiros como Torquato Neto, João Cabral de Melo Neto, Patativa do Assaré, poetas também que infelizmente não são tão conhecidos no Brasil como deveriam como Manoel Filó, Manoel Xudú, Pinto do Monteiro e etc. A explosão de poeticidade que o contato com a obra desses artistas me causou é muito difícil de conseguir transmitir aqui em palavras escritas, talvez eu conseguisse expressar melhor pessoalmente com o tom da minha voz e o brilho nos meus olhos.  

 (Poetas Malditos)


Esse contexto de leitura da minha vida até os 18, 19 anos não ia eliminando o que até então eu ia absolvendo, pelo contrario, só acrescentando. Para tentar resumir o que quero dizer, hoje estou com 23 anos de idade e me considero estar em um dos momentos mais interessantes da vida usando como base para essa afirmação a minha capacidade de analise da vida e das coisas que acontecem a minha volta. Consigo tecer analises coerentes com o meu pensar e enxergar a minha posição no mundo. Hoje a minha leitura se resume a duas áreas muitíssimo especificas, a política e a espiritualidade. Detenho-me hoje a esse tipo de leitura frente a necessidade que a vida me impôs de encontrar uma posição certa diante do mundo.
A leitura política consegue me dar uma posição social, uma analise coerente dos acontecimentos mundiais, uma centralização diante de discussões e debates que eventualmente possam acontecer entre um grupo de pessoas. O estudo político me permite também um sentindo de vida, uma força para tentar fazer com que possamos mudar as coisas. A leitura espiritualista me possibilita uma expansão da questão social, pois se o estudo político me proporcionou uma lucidez diante de acontecimentos mundiais, a leitura espiritualista, séria e coerente me possibilitou uma lucidez diante da vida além desse mundo e isso, é muitíssimo confortante.


O que eu quero dizer com tudo isso é o quanto a leitura foi importante em cada momento da minha vida e o quanto ela me possibilitou uma determinada felicidade que veio junto com a clareza das coisas. Adoraria ler os romances de grandes mestres da literatura como Machado de Assis, Graciliano Ramos, Guimarães Rosa e etc. Mas como, mesmo gostando de ler não leio o tanto quanto deveria me concentro apenas num determinado tipo de leitura que traga uma construção ideológica para minha vida, seja ela física ou mística; estou sempre buscando essas formas.


Wagner França